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terça-feira, 20 de abril de 2010

A Revolução da Polarografia







Por volta do ano de 1920, os estudos de diversos campos da eletroquímica eram praticamentes considerados como encerrados: os conhecimentos obtidos permitiram interpretar muito bem o fenômeno da eletrólise, muito empregada também na análise química. Todavia, uma surpreendente descoberta mostraria que muitos problemas eletroquímicos estavam ainda em aberto, que alguns conceitos deveriam e careciam de ser reformulados, que os conhecimentos sobre a cisão das moléculas e a migração de suas partes constituintes, durante a eletrólise, eram muito insuficientes. Tal processo revolucionário foi a polarografia. No campo da técnica, o polarografo permitiria a visualização esquemática do comportamento dos íons na eletrólise, bem como análises rápidas e precisas, mesmo de quantidades de amostra inferiores a 1 mililitro. Isso em um nível quantitativo e qualitativo. (Íons são átomos com o número de prótons diferente do número de elétrons; íons com maior número de elétrons são denominados ânions, íons com maior número de prótons são denominados cátions.)

A polarografia foi descoberta pelo grande químico tchecoslovaco Jaroslav Heyrovský (1890-1967) (retratado na fotografia acima), quando estudava certa anomalia no gráfico que traduz a variação da corrente elétrica com o aumento da tensão, num processo eletrolítico em que usa-se como cátodo o mercúrio (Me) gotejante. Sintetizando, a nova modalidade de eletrólise utiliza uma célula eletrolítica de constituição espacial: o cátodo é o mercúrio que cai de um capilar com a freqüência de 3 a 6 gotas por segundo; o ânodo pode ser a camada de mercúrio depositada no fundo da célula; a fonte de energia é uma bateria de 2 volts ou 4 volts. Um potenciômetro faz variar continuamente e uniformemente, por intermédio de um motor e uma resistência, o potencial elétrico aplicado aos eletrodos. Um registrador traça a curva da variação da intensidade da corrente com a voltagem aplicada. Como na eletrólise de uma solução contendo sais de diferentes metais, cada metal só começa a se depositar no cátodo quando a força eletromotriz atinge certo limite (potencial de decomposição), a curva traçada pelo registrador permite identificar os constituintes da solução. Com o artificio da gota de mercúrio, o cátodo é sempre renovado, evitando-se a sua "polarização", ou seja, que algum produto da eletrólise deposite-se sobre ele, modificando-lhe as propriedades.

Essa descoberta de Heyrovský marcou o início para novas e revolucionárias descobertas no campo da Química, o que rendeu-lhe o Prêmio Nobel de Química em 1959.

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