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"O poder da humanidade que criou este imenso campo do saber há de ter forças para levá-lo ao bom caminho". (Bertrand Russel, filósofo e matemático inglês do século XX)



terça-feira, 6 de abril de 2010

"O Mensageiro das Estrelas"







No ano de 1597, o grande físico, astrônomo e matemático italiano Galileu Galilei (1564-1642) (retratado na fotografia acima) escreveu uma carta ao astrônomo, matemático e astrológo alemão Johannes Kepler (1571-1630), na qual proclamava partidário, "há muitos anos", da teoria heliocêntrica (Sol no centro do Universo) do astrônomo e matemático polonês Nicolau Copérnico (1473-1543). Todavia, durante todo o tempo que Galileu permaneceu na cidade italiana de Pádua, ele ministrou suas aulas em estrita concordância com os ensinamentos aristotélicos, que afirmavam ser a Terra o centro do Universo. Suas convicções heliocêntricas, assim como as revolucionárias conclusões sobre o movimento dos corpos, Galileu guardava-as para os amigos e para alguns poucos correspondentes, como Kepler. As teorias de Galileu sobre o movimento seriam publicadas, de forma bem ordenada, somente após a sentença do Tribunal do Santo Ofício sobre ele, em decorrência de suas concepções anti-aristotélicas e modernamente heliocêntricas. Entretanto, sua defesa do heliocentrismo, que o levaria à prisão domiciliar, foi ventilada muito antes.


Tudo se iniciou em 1609, com uma viagem de Galileu à cidade de Veneza, onde ouviu falar de um aparelho, construído por um artesão holandês, chamado Hans Lippershey (1570-1619), que fazia os objetos parecerem maiores e mais próximos: o telescópio. Retornando a cidade de Pádua, Galileu conseguiu adquirir um desses interessantes instrumentos, com o qual passou a investigar constantemente o céu.


Em março de 1610, Galileu publicou um livro de apenas 24 páginas, intitulado Sidereus Nuncius (isto é, O Mensageiro das Estrelas), nele descrevendo algumas de suas observações com a luneta. Neste livro, Galileu cita no início uma pequena homenagem à Cosimo de Médici, duque de Pádua, a quem Galileu tinha esperança de ser próximo e protegido. No livro, Galileu verifica que "a superfície da Lua não é perfeitamente lisa, livre de desigualdades, nem exatamente esférica, como considera uma extensa escola de filósofos com respeito à Lua e aos demais corpos celestes; pelo contrário, está repleta de irregularidades, é desigual, cheia de cavidades e protuberâncias, tal qual a superfície da própria Terra, diversa por toda parte, com montanhas elevadas e vales profundos". O Mensageiro das Estrelas prosseguia narrando a descoberta de milhares de outras estrelas, além das observáveis a olho nu; e trazia no término uma revelação sensacional e surpreendente na época: "Fica a questão que se me afigura ser tida como a mais importante desta obra, isto é, a de eu revelar e publicar ao mundo o momento da descoberta e observação de quatro planetas nunca vistos, desde o começo do mundo até nossos dias". Galileu havia descoberta as quatro luas de Júpiter, as quais futuramente foram denominadas Luas Galileanas. É interessante que as luas de Júpiter, apesar de não provarem que Copérnico tinha realmente razão, abalavam a antiga ideia de que a Terra é o centro em torno do qual tudo gira, que, por sinal, podemos classificar como uma ideia muito egoísta e anticientífica!

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